quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O observar-participar da Rua Voluntários da Pátria

Apresentação: Roteiro de saída de campo a fim de conhecer um pouco mais alguns personagens da rua Voluntários da Pátria, os vendedores ambulantes.
Fundo de Origem: BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Projeto Coleções etnográficas, itinerários urbanos e patrimônio etnológico: a criação de um museu virtual. – FAPERGS/CNPq (ALCR)
Autor: Priscila Farfan Barroso – Bolsista IC/FAPERGS
Local: Bairro Centro - Porto Alegre/RS
Data de Produção: 09/02/2007
Tags: Os Bastidores do Trabalho de Campo


Para esta saída penso ser importante debruçar-me um pouco mais nos sujeitos (vendedores ambulantes) que preenchem a Rua Voluntários da Pátria, ou seja, atentar mais a esses personagens urbanos que remetem a uma “cultura popular”. Por isso a fim de entender as mediações simbólicas utilizadas por estes para oferecer os produtos seria interessante interagir um pouco mais, ainda na linha da observação participante, seja através da compra, ou mesmo observando mais atentamente o modo como organizam os produtos, quais produtos estão ali, quem cuida, quem oferece, etc.
Nesse intuito de concentrar-me em um ou dois vendedores já teria um panorama sobre o estilo de vida desse trabalhador que utiliza a rua em condições precárias para manter seu sustento. E ao mesmo tempo a possibilidade de notar algum informante potencial para me ajudar com informações nesta pesquisa relacionado as “artes de propagandiar.”
Então, ao caminhar com esta preocupação, poderei perceber as variadas ambiências por quais passo, ou seja, como estarei numa rua com diferentes disposições ao longo do seu trajeto, cada altura tenho um recorte outro devido a complexidade que se instala nesse local, e assim, espero conseguir configurar um pouco dessas sonoridades do ambiente.


Itinerário – entrarei na Rua Voluntários da Pátria através da Rua Osvaldo Aranha, caminharei devagar em direção ao Mercado Público, e voltarei ao ponto de origem. Depois seguirei conforme as necessidades.

Contexto – centro de Porto Alegre, na época do “Liquida Porto Alegre” em que os preços estão mais baixos para eliminar estoques, ainda férias escolares...

Duração - uma hora e meia

Para depois do campo – escrita do diário de campo, separando o que for observador total, observador-como-participante, participante-como-observador, e participante total para se dar conta dos processos acontecido em campo e analisar sua riqueza.

Para antes do campo – leitura do “Teoria e método em Pesquisa de Campo” de Aaron Cicourel

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Preparação e Abertura da VII RAM

Apresentação: Essas fotos foram tiradas na montagem da RAM em POA no ano de 2007, mais abaixo está a foto da abertura. Nas fotos da montagem estão Thais, Priscila, Gutcha e Anelise.
Tags: Por Onde Andamos

























segunda-feira, 28 de setembro de 2009

BIEV - 1998

Apresentação: Nessas fotos estão Olavo e Rosana trabalhando na sala do BIEV
Tags: Quem Esteve Entre Nós






sábado, 26 de setembro de 2009

Do Livro à Memoria, a Primeira Entrevista...

Apresentação: Essa entrevista com Guilherme (Hilel) tratará de um tipo de memória chamada de traumática, apesar de não demonstrar isso aos olhos de quem fala com ele, é quase impossível que todos esses acontecimentos não tenham sido difíceis de superar.
Fundo de Origem: BIEV/LAS/NUPECS/PPGAS
Fonte: Pesquisa antropológica com processos de modelização da memória coletiva e de extroversão de acervos – CNPq (alcr)
Autor: Pedro da Rocha Paim – bolsista BIT CNPq
Data de Produção: 12/09/09
Local: Bairro Santana
Tags: Os Bastidores do Trabalho de Campo

O livro:

• Como foi escrever sobre todas essas atrocidades cometidas contra sua própria família?
• Pelo que li no livro as visões começaram quando você ainda era jovem, você teve alguma que não está no livro? Se sim, conte-me ela e essas visões ajudaram a não desistir de sobreviver?
• Gostaria de saber como é possível não ter ódio por alguém que faz algumas das coisas descritas no livro?
• Qual a sensação no momento de rever os parentes mesmo para uma criança que “não sabe” da guerra? E de saber que a guerra acabou?
• A mensagem que é passada durante todo o livro é de que não devemos ensinar as crianças a vingança ou o medo. Esses sentimentos não são naturais, a paz descrita no livro é realmente possível ou apenas um desejo de um grande HUMANO?



A vida na Europa:

• No livro você descreve algumas partes quase como um antropólogo, foi você que deu a descrição? Se sim, gostaria que descrevesse algumas cidades além da que nasceste (Serniky).
• Mesmo sendo muito novo você consegue comparar a Europa daquele tempo e o Brasil de quando você chegou?
• Qual o seu sentimento quando teve certeza que viria para o Brasil? E quando chegou?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

GT de Texto 2004

Apresentação: As fotos abaixo mostram uma reunião do gt na sala do BIEV, estão nas fotos: Rafael devos, Thais Cunegato, Luciano Spinelli, Felipe, Olavo Marques e Viviane Vedana.
Tags: Quem Esteve Entre Nós

































terça-feira, 22 de setembro de 2009

Notas em Video e Som... Meandros da Entrevista...

Apresentação: A transcrição da entrevista é tarefa primordial para o bom andamento da pesquisa. No entanto, quando falamos e estudamos memória em um mundo urbano contemporâneo, é preciso pensar como estas novas mídias e tecnologias podem ajudar a entender melhor as dinâmicas e o jogo das memórias e sociabilidades que se desenrolam durante a entrevista em campo e também durante todo o trabalho de campo...
Fundo de origem:
BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Coleção projeto: Criação do site do BIEV - CNPq/FAPERGS (ALCR)
Autor:
Rafael Lopo – Bolsista de PIBIC/CNPq - Entrevista com seu João Carlos
Local: Porto Alegre/RS
Data de produção:
23/07/2009
Tags: Caderno de Notas











segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Saída a campo na Ilha das Pintadas

Apresentação: As fotos abaixo são de uma saída a campo feita por Rafael Devos, Ana Luiza e Jean Arlaud na Ilha da Pintada.
Tags: Eu Estive Lá




sábado, 19 de setembro de 2009

Reaproximar-se das Famílias

Apresentação: No percurso em direção ao campo, Anelise reflete sobre a condição de uma pesquisadora - ela mesma - que trabalha com o tema da "família" mas que se vê afastada tanto da sua, como daquela de sua informante. E é na tentativa de reverter essa situação, retomando o contato com essa outra "família", que ela se depara com as exigências da "vida familiar".
Fundo de Origem: BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Antropologia das crises na vida cotidiana da metrópole de Porto Alegre, RS - CNPq (CE)
Autor: Anelise Gutterres - Mestranda em Antropologia Social (UFRGS)
Local: Bairro Centro - Porto Alegre/RS
Data de Produção: 15/08/2008
Tags: Os Interiores da Escrita Etnográfica



Segunda-feira torci para que o dia passasse rápido, coisa que não aconteceu exatamente. Lá pelo fim da manhã, me dou conta que não tinha planejado nenhum tipo de gravação. Chovia sem parar, meu guarda-chuva virou para cima durante todo o percurso entre os campi da UFRGS. Percursos que fui obrigada a fazer carregada de livros e com os pés molhados. Tava me sentido péssima, cansada, enjoada e nesse ritmo a noite foi chegando sem esperar pelo meu descanso. Saí da aula, peguei uma pequena câmera Sony na casa do meu irmão caso me requisitassem uma foto comemorativa, coisa que não aconteceu. Todo essa ansiedade e esse mal estar, sentada aqui me parece evidente, tinha uma razão bem clara. Eu estava muito afastada dessa família. E família é família, provava-me a insistência minuciosa da minha mãe, na última sexta-feira, em divulgar-me as datas de aniversário e ordens festivas, função que ela começou a ocupar de uns anos para cá, na tentativa de que eu visse «a família» com mais regularidade. O convívio familiar percebi ao pensar sobre a definição dessa «vida familiar» - que inclui as relações entre netos, filhos, mães, pais, tios - têm uma escala microscópica e dicotômica: ao mesmo tempo que não perdoa grandes afastamentos, têm o maior prazer em lhe colocar a par das «novidades» a medida que você diz que se lembra de alguma ocasião familiar, de alguém ou do que foi dito nela e pede para ser re-atualizado. Essa noite na casa de Ainsley foi uma noite para que eu pudesse pensar nesses afastamentos e aproximações. E nessa relação do meu trabalho com o cotidiano dessa família.
Entrei numa loja de 1,99 atrás de um conjunto de velas bonito, que não saísse mais do que dez reais, que era o que eu tinha para o presente. Escolhi, peguei junto uma embalagem e coloquei as velas dentro. Precisei esperar o pessoal do caixa terminar a conversa para que eu pudesse pagar e sumir rapidamente daquela loja com luz «fria» e trilha sonora da jovem pan. Subi a Rua Dr. Flores, cruzei uma Avenida Salgado filho insuportável, em sua mistura de garoa, fim de tarde abafado, buzina, congestionamento e gás carbônico grudando no rosto com o suor dos blusões de lã deslocados e os casacos carregados no braço. Cheguei até a parada embaixo do viaduto da Avenida Duque de Caxias e aguardei pelo ônibus Serraria por uns quinze minutos. A hora era a hora: do deslocamento. Todos estavam indo ou para casa, ou para o trabalho, ou para a faculdade, ou para o curso, ou para academia, ou para o bar. Os ônibus faziam fila, fazendo o vivente ter que correr atrás das portas abertas bem adiante do ponto da parada. Jovens apressados, vendedores de flores, de balas, pedintes; o céu ficando escuro, a chuva mais forte e o clima térmico mais indeciso ainda do que antes. Subi no ônibus torcendo por um lugar, pois tinha algumas coisas para ler «na viagem», alternativa que abdiquei logo em seguida, através de um sorriso de negação a mim mesma. Pus-me a assumir aquele estado de campo, na busca daquele olhar que a cidade precisava que eu tivesse já que eu estava pesquisando ela, nela. Um olhar de alguém que não estava indo visitar uma amiga, passear na zona sul ou jogar papo fora numa comemoração de aniversário. Nesse momento, juntei todas as expectativas e transformei em vigilâncias, reuni todas as imagens mentais do passado e do futuro e as pus a postos a fim de serem articuladas, acionadas pelas situações que viveria dali para frente.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

BIEV na RAM

Apresentação: Estas fotos foram tiradas em Montevidéu no Uruguai em 2005 na VI RAM
Tags: Por Onde Andamos
















terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Equipamento e a Equipe

Apresentação: O acervo em vídeo do BIEV do projeto “Poeira do Tempo” é formado por gravações de saídas de campo de alguns dos orientandos das professoras Ana Luiza Carvalho da Rocha e Cornelia Eckert, cujos projetos tinham como informantes alguns migrantes das regiões rurais do Rio Grande do Sul. Estas gravações possuíam não apenas entrevistas e imagens dos locais, mas também são ricas de momentos de preparação da equipe, seja o trajeto até o local da gravação ou o trato com o equipamento, e de interação entre os pesquisadores e os informantes. Os vídeos a seguir são uma amostra destes momentos e foram gravados no cemitério da cidade de Cruz Alta, onde a equipe foi guiada pelos coveiros Olívio e Jorge; e na cidade de Vicente Dutra, na preparação para a entrevista do Sr. Salvador e de sua esposa Ligia.
Fundo de origem: BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Coleção do Projeto Etnografias urbanas e coleções etnográficas das memórias dos itinerários de velhos migrantes rurais na cidade (ALCR)
Autor: Ana Luiza Carvalho da Rocha (Bolsa Produtividade em Pesquisa CNPq); Rafael Devos (IC CNPq); Patrick Barcelos (Bolsista IC FAPERGS);
Local: Cruz Alta/RS e Vicente Dutra/RS
Data: 20 de janeiro e 02 de julho de 1999
Tags: Os bastidores do trabalho de campo


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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Etnografia da etnografia: a estrada e o chimarrão

Apresentação: O acervo em vídeo do projeto “Poeira do Tempo” é formado por gravações de saídas de campo de alguns dos orientandos das professoras Ana Luiza Carvalho da Rocha e Cornelia Eckert, cujos projetos tinham como informantes alguns migrantes das regiões rurais do Rio Grande do Sul. Estas gravações possuíam não apenas entrevistas e imagens dos locais, mas também são ricas de momentos de preparação da equipe, seja o trajeto até o local da gravação ou o trato com o equipamento, e de interação entre os pesquisadores e os informantes. Os vídeos a seguir são uma amostra destes momentos e foram gravados durante um trajeto de carro na cidade de Vicente Dutra; e na entrevista com Dona Maria, moradora da cidade.
Fundo de origem: BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Coleção do Projeto Etnografias urbanas e coleções etnográficas das memórias dos itinerários de velhos migrantes rurais na cidade (ALCR)
Autor: Ana Luiza Carvalho da Rocha (Bolsa Produtividade em Pesquisa CNPq); Rafael Devos (IC CNPq); Patrick Barcelos (Bolsista IC FAPERGS);
Local: Vicente Dutra/RS
Data: 20 e 21 de janeiro de 1999
Tags: Os bastidores do trabalho de campo


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sábado, 12 de setembro de 2009

Encontrando o meio tom na entrevista

Apresentação: Depois de entrevistar a “camelô antiga” (com foco na trajetória social), a aprendiz de antropóloga avalia a negociação entre suas falas e percebe que certa ansiedade atrapalhou na escuta da informante.
Fundo de origem: BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Projeto Coleções etnográficas, itinerários urbanos e patrimônio etnológico: a criação de um museu virtual. – FAPERGS/CNPq (ALCR)
Autor: Priscila Farfan Barroso. Bolsista IC/FAPERGS
Data de produção: 15/10/2008
Tags: Os Bastidores do Trabalho de Campo


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

No ônibus, uma pequena história...

Apresentação: Nesse trecho do diário, Rafael viaja por tempos diferentes enquanto faz o trajeto de ônibus, observando algumas situações que não estão no local de seu campo, mas no deslocamento até ele.
Fundo de Origem: BIEV/LAS/PPGAS/UFRGS
Fonte: Coleção Projeto: Itinerários urbanos, memória coletiva e sociabilidades no mundo contemporâneo - CNPq (ALCReCE)
Autor: Rafael Devos - Bolsista AT/CNPq
Local: Ônibus São Francisco - Porto Alegre/RS
Data de Produção: 28 de abril de 2001
Tags: Interiores da Escrita Etnográfica


Tudo isso na minha cabeça me fazia pensar que minha etnografia vai ser bem mais intensa do que tomar cafezinho com as velinhas. Mas as vovós tem muito a me dizer, e foi isso que fui fazer hoje. No ônibus, uma pequena história. Peguei o São Francisco, ônibus mais caro, intermunicipal. O bus não estava cheio, algumas pessoas sentadas, com um jeito de quem retorna pra casa. O motorista arranca e um homem de camisa, gravata e paletó, evidentemente muito “fuleiro” na vestimenta, levanta-se e pede a atenção. Diz que tem paralisia infantil, e realmente fala com dificuldades, enrola a língua e não parece bebum. Com uma expressão suplicante, pede que comprem pipoquinhas por R$1,00, para ele poder sustentar a família, porque não tem trabalho para quem é doente. Silêncio no ônibus, as pessoas olham para as janelas, outras lhe dirigem um olhar desatento, como se ele fosse transparente. Eu dirijo esse olhar, por um instante o olho nos olhos, desvio e lembro que o via, há uns 2 ou 3 anos atrás, nos ônibus da zona sul, dizendo que tinha AIDS e pedindo ajuda. Lembrei pelo jeito como se humilhava. Quando ele conseguiu convencer um sujeito a comprar pipoca pros filhos, que nem tinham cara de que queriam pipoca, um velho de uns 80 anos, sentado no banco da frente comenta com o motorista algo sobre trabalho, que o miserável tem dinheiro pra gravatinha. O miserável vira para o velho. E o que que tem se eu uso uma gravata de 1,99? Se eu tivesse com uma arma lhe assaltando o senhor não ia reclamar da minha roupa. O velho. Eu tava falando era do meu neto que é cego, surdo e me ajuda. O miserável olha derrotado pro resto dos passageiros, vê que não vai vender mais nada e desce na parada seguinte, não sem antes resmungar que não tem família que cuide dele, que ele é que precisa cuidar dos outros. O velho o encara firme, o coitado desce e o velho segue encarando o miserável que vai ficando pra trás até sumir da visão. O ônibus percorre a Farrapos e os comentários percorrem o ônibus. Vai trabalhar. Vai cortar grama. Trabalho tem.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Roteiro de Saida de Campo - Terminal Conceição

Apresentação: Questionamentos que levam a aprendiz de etnógrafa a campo. Conceitos e dispositivos pensados antes de uma saída de campo. É o roteiro que orienta uma futura ida a campo, é a partir dele que a aprendiz de etnógrafa pode pensar em possíveis situações que poderão ocorrer em campo e nas diferentes maneiras de lidar com elas antropologicamente.
Fundo de Origem: BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Coleção do Projeto Cidade e Memória: a cultura do trânsito em Porto Alegre, RS.
Autor: Luciana Tubello Caldas – Bolsista de IC/CNPq
Local: Centro-Porto Alegre/RS
Data de produção: 10/08/2009
Tags: Os Bastidores do Trabalho de Campo


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Entre as derrotas e as vitórias do futebol de várzea

Apresentação: A partir de um trecho de diário de campo relatando uma experiência do etnográfico no futebol de várzea da cidade de Porto Alegre, podemos pensar como as rupturas marcantes para o trabalho e a pesquisa podem aparecer também em escritas que não são utilizadas ou “aproveitadas” no espaço de produção mais acadêmico da Antropologia. Existe na escrita um espaço de deslocamento e rupturas entre os vários momentos da experiência etnográfica
Fundo de origem: BIEV/NUPECS/LAS/PPGAS
Fonte: Coleção do Projeto Criação do site do BIEV - CNPq/FAPERGS (ALCR)
Autor: Rafael Martins Lopo – Bolsista PIBIC/CNPq
Local: Porto Alegre/RS
Data de produção: 21/07/2007
Tags: Os Interiores da Escrita Etnográfica


O segundo tempo é insuportável, "teste pra cardíaco" e Julinho não para de pular e gritar, urrar, comemorando a possível vitória. O empate também dá o título ao Martins, mas se fosse pra escolher, o melhor resultado seria uma vitória de 5 a 0. O Guarany não assusta, não faz nada, está cada vez mais nervoso e reclamando do juiz, enquanto Nenê e Zurra não param de perder gol na frente. Milhões de vezes tive que conter o pulo e o grito, bola na trave, pra fora, defesa do goleiro, etc..
Enfim, depois de muita tensão, o jogo acaba, e mesmo com muita chuva, o campo é invadido por todos que estavam torcendo pelo Martins de Lima. EU estou no meio do bolo, cumprimento alguns, abraço outros, mas parecem todos estar compartilhando da mesma felicidade. Procuro, sem cessar, seu João Carlos. A todos os momentos em que algo acontecia no jogo, pensava em sua entrevista, suas lágrimas diante da câmera falando de todo seu investimento na várzea. Recompensado agora, vejo ele abraçando Pingo e chorando, gritando, pra todo mundo ouvir:
"Eu sou multi-campeão do Murialdo, vocês merecem, vocês me deram uma das maiores alegrias da minha vida"
Realmente comovente, depois de tanto tempo, mesmo com toda a vida, uma bagagem de histórias imensa, ele chora ao lembrar, ao trazer para o presente uma vida inteira de dedicação à várzea, e que insiste em não lhe abandonar.
Na entrega dos troféus, estou completamente molhado, assim como muitos. Quando a taça é levantada, há um princípio de briga entre as torcedoras do Guarany(a família gritona de Gilson), e algumas do Martins. Alguns separam, evitam, afinal, homem que é homem sabe perder, e sua honra depende disso. Será? Fiquei um pouco tenso na hora de ir embora, mas vejo que todos se respeitam, não importa o que tenha acontecido no passado.
A taça, e as medalhas devidamente distribuídas vão para a sede, com os heróis da conquista. Muita gente vai junto, a sede está lotada, e o fogo já está sendo aprontado. Cumprimento quem ainda não tive a oportunidade e o pagode começa a se formar. Obvio, mesmo fugindo dos mitos, não há como negar, que nada combina mais com várzea do que churrasco e pagode. Em todas as biografias lidas, não há uma que não cite estas formas de sociabilidade como fundamentais para a várzea.
Converso com alguns, e quando estou mais afastado, seu João Carlos vem falar comigo. Ainda um pouco emocionado, ele exclama:
"Rafa, esse aqui que tu presenciou hoje é o primeiro de muitos. Estes homens que estão aqui são os verdadeiros campeões, que não jogam só pela amizade, mas pelo clube. Além do que, muitos do que estão aqui são bi-campeões, pois foram campeões ano passado" Interessante, não tinha pensado nisso. É mais um pequeno capítulo nesta inconstante vida da várzea. Muitos vão contar esta história para os outros, falar que foram bi-campeões, em times iguais, mas ao mesmo tempo tão diferentes.
Pouco tempo depois, quando o churrasco está quase pronto, Julinho se aproxima de mim, e tirando uma medalha do bolso, me fala:
"Toma Rafa, essa é tua, de um pessoal que gosta muito de ti"
Prontamente, coloco-a no peito, e fico cada vez mais fascinado com a capacidade de entrar neste clube que a etnografia tem me proporcionado. Não há mais como eu me sentir mais inserido no clube do que ganhar uma medalha de campeão. Depois deste episódio, outro jogador vem me perguntar porque não tinha levado a câmera. Ao mesmo tempo que fico feliz em saber de minha adoção pelo Martins, penso mais uma vez na minha postura enquanto pesquisador.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

GTs de Texto e Vídeo, 2008

Apresentação: As fotos mostram encontros semanais do BIEV, dos Gts de Vídeo e de Escrita. Nestas, aparecem Ana Luiza Carvalho da Rocha, Ana Paula Parodi, Anelise Gutterres, Caetano Sordi, Cornelia Eckert, Patrick Barcelos, Priscila Farfan, Rafael Devos, Rafael Lopo, Rodrigo Ramos, Stéphanie Bexiga e Viviane Vedana. As fotos foram tiradas por Ana Luiza Carvalho da Rocha e Patrick Barcelos.
Tags: Quem Esteve Entre Nós